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estante

Marcos Flamínio Peres

1. "A Princesa de Clèves" (1678), de Mme. de La Fayette

O mais fino romance psicológico escrito até hoje, tendo influenciado de Stendhal e Benjamin Constant a Henry James. Anterior ao Romantismo e a sua paixão avassaladora -que, até o advento da pós-modernidade, orientaria as formas de relação afetiva-, "A Princesa de Clèves" é uma sutil e intensa história de amor assombrada pelo "fantasma do dever".


2. "Correspondência Goethe-Schiller, 1794-1805

Os dois grandes escritores alemães debatem em cartas incisivas a transição da obra de arte clássica para a romântica, por meio de análises de narrativa, poesia e drama.


3. "Romances Waverley" (a partir de 1814), de Walter Scott

A série de romances do escritor escocês, como "Waverley", "Rob Roy" e "Ivanhoé", foi injustamente desprezada pelos grandes críticos. Hoje, sabe-se que foi decisiva para estabelecer as bases do romance histórico, como a criação de um herói "médio" -nem nobre, nem pícaro pobretão. De Scott, brotaram grandes prosadores, como Dickens, Balzac e Victor Hugo.


4. "A Cartuxa de Parma" (1839), de Stendhal

Quase um romance "retrô", dado que foi escrito quando o viés histórico e realista já predominava, é uma mescla feliz de análise social e psicológica com o sublime romântico.


5. "Em Busca do Tempo Perdido" (a partir de 1913), de Marcel Proust

Dividido em sete volumes, esse ciclo arrojado, de concepção arquitetônica construída sobre "o edifício imenso da lembrança", se organiza a partir do elemento mais volátil possível -o tempo, que pela primeira vez é elevado de forma ostensiva a elemento estruturador de uma obra romanesca. Experiência fundamental da história desse gênero.


6. "Passagens", de Walter Benjamin

Concebida entre 1927 e 1929 em forma de fragmentos, é uma das obras mais ambiciosas já escritas sobre a ascensão e a consolidação da sociedade burguesa no século 19.


7. "Conversa na Sicília" (1937), de Elio Vittorini

O italiano funde aqui o realismo que marcou o início de sua carreira com avanços técnicos como o fluxo de consciência e o monólogo interior. A vida estagnada e em estado de mito da Sicília se choca com as memórias e devaneios do filho desgarrado no Norte industrial que volta à sua terra. Um dos poucos grandes romances a encontrar uma representação cinematográfica a lhe fazer jus ("Gente da Sicília", 1999, de Jean-Marie Straub e Danièlle Huillet).


8. "Grande Sertão: Veredas" (1956), de Guimarães Rosa

Fusão de gêneros e de registros de linguagem, imbricação entre mito e história, entre alta e baixa culturas fazem deste romance um exemplar raro -mesmo em âmbito universal- da grande experiência modernista.


9. "Modern Romance and Transformations of the Novel" (1992), de Ian Duncan

Criticando estudos seminais sobre a narrativa realista, como os de Ian Watt e Michael McKeon, Duncan reabilita a imaginação como princípio essencial do gênero, a partir da análise da ficção gótica inglesa (segunda metade do século 18).


10. "La Pensée du Roman" (2003), de Thomas Pavel

Uma história da literatura acessível, mas inovadora, em sua abordagem teórica. Recua à Grécia antiga o conceito de romance, reabilitando a noção de romanesco.

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Marcos Flamínio Peres
É jornalista, editor do "Mais!", da "Folha de S. Paulo", doutor em letras pela USP e autor de "A Fonte Envenenada" (ed. Nova Alexandria), a respeito de Gonçalves Dias.

 
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