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estante

Eliane Cantanhêde

1. O estrangeiro, de Albert Camus

Todos e cada um de nós somos "estrangeiros". Às vezes, muito, muito, muito "estrangeiros", tanto que fazemos coisas que simplesmente não conseguimos entender. Camus nos dá um motivo plausível: "Foi o sol!".


2. Dom Casmurro, de Machado de Assis

Um mergulho no amor, no ciúme, nos monstros que nos devoram, deixando no ar e nos corações (inclusive dos leitores) uma profunda dor: a dúvida eterna. Tudo com o texto impecável do mestre dos mestres.


3 - Os Maias, de Eça de Queiroz

A beleza, o amor, os encontros e os desencontros. As descrições longas, mas muito vivas, as amarguras devassadas, a vida que é vivida. É livro para se ler aos 18, aos 30 e mais uma vez aos 50, para sempre descobrir um detalhe, ou uma reflexão, a mais.


4 - Crime e castigo, de Dostoievsky

O que dizer? Imperdível e inesquecível.


5 - O amor nos tempos do cólera, de Gabriel García Márquez

Mais do que a denúncia política ou a reportagem de um tempo, tão evidentes em "Cem anos de solidão", o autor envereda pela poesia da vida, pelo sentimento e a emoção. O impossível aconteceu: ele se superou!


6 - Mar morto, de Jorge Amado

Outra vez, não foi a "obra-prima" do autor que mais me marcou. Foi um romance considerado acessório, morno, com o mesmo profundo sentimento de brasilidade e de humanidade dos demais, mas de alguma forma muito especial.


7 - Hannah e suas Filhas, de Marianne Fredriksson

A autora, sueca, passeia ao longo das décadas e de quatro gerações para descrever as angústias, os anseios e as frustrações das mulheres em mais de um século.


8 - O reino e o poder, de Gay Talese

O mais impressionante neste livro sobre o mais poderoso jornal do mundo, "The New York Times", é, consideradas as devidas proporções, a semelhança dos vícios, das idiossincrasias e das virtudes da imprensa de cá e de lá.


9 - A ditadura envergonhada, de Elio Gaspari

Extremo rigor na pesquisa, descrição acurada dos personagens, texto de uma elegância primorosa, a intenção de Gaspari não foi revelar nem surpreender, foi relatar. E ele conciliou algo difícil de conciliar: uma obra densa de consulta, mas cheia de sabor.


10 - Quando Nietzsche chorou, de Irvin D. Yalon

Um especialista que enveredou pela literatura para popularizar a filosofia e a psicanálise. O resultado é um livro que se lê de um fôlego só e que, depois, não pára de martelar em algum lugar de sua mente (ou de sua alma?).

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Eliane Cantanhêde
É jornalista, colunista da "Folha de S. Paulo" em Brasília.

 
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