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estante

Felipe Chaimovich

1. The architecture of western gardens: A design history from the Renaissance to the present day, de Monique Mosser e Georges Teyssot (eds., MIT Press, Cambridge, 1991).

O jardinismo é a mais completa das artes do desenho. Molda a natureza como se fosse quadro, escultura e construção. Os artigos de ponta dessa coletânea, que inclui plantas arquitetônicas, são passeio agradável e surpreendente.


2. Banquete: uma história ilustrada da culinária, dos costumes e da fartura à mesa, de Roy Strong (Jorge Zahar Editor, Rio de Janeiro, 2004).

Para quem quer entender de bom gosto, é essencial conhecer o sabor das coisas e a maneira de celebrar. Nesse livro desfilam castelos feitos de bolo de carne e folhas de ouro, carros alegóricos comestíveis com banda de música tocando e porcos romanos recheados com pássaros vivos que alçam vôo. É fazer a festa.


3. Recuento de la mujer gusano, de Sonia Guralnik (Sudamericana Chilena, Santiago, 1991).

Minha avó paterna ensinava culinária e hoje é escritora feminista, tendo iniciado como autora literária após os 50 anos. Esse é seu livro de contos mais interessante. Sintética e afiada.


4. Banquete, de Platão, in “Platão: Diálogos” (col. “Os Pensadores”, Nova Cultural, São Paulo, 1987).

O amor é via privilegiada do cuidado filosófico. Ensinamento maior de Platão, é apresentado sob forma de comédia dialogada, envolvendo sexo, drogas e lira. O elo entre estética e erótica.


5. A Casa Edison e seu tempo, de Humberto Francheschi (ed. Sarapuí, Rio de Janeiro, 2002).

A firma de meu bisavô trouxe para o Brasil o raio-X, a caneta tinteiro, as primeiras exibições de cinema e a gravadora musical Odeon. Cresci ouvindo os 78 rpm da Casa Edison. Esse completo volume traz, ainda, quatro CDs com as gravações originais de sucessos como “Pelo telefone”.


6. Versailles, de Jean-Marie de Montclos e Robert Polidori (Place des Victoires, Paris, 2001).

Trata-se do palácio mais importante da arte ocidental pós-renascentista. Versalhes é sinônimo de tecnologia cortesã francesa. A origem da sociedade do espetáculo, com texto rigoroso de Montclos e belo ensaio fotográfico de Polidori.


7. O trabalho dos mortos, de Nogueira de Faria, (Federação Espírita Brasileira, Rio de Janeiro, 2002, 6ª ed.).

Sempre me impressionei com o final: a narrativa das quatro sessões, quando o espírito de minha tia-avó Rachel se materializou em 1921. As fotos do ectoplasma da médium paraense d. Ana Prado, além de vários retratos fotográficos brasileiros de espíritos, estão reproduzidos no volume, lançado na década de 40.


8. A missão francesa, de Julio Bandeira et al. (Sextante, Rio de Janeiro, 2003).

Reflexão recente e esclarecedora sobre a fundação da arte nacional brasileira. O bonapartismo dos artistas franceses e de d. Pedro I é selado por Debret, ao criar a bandeira brasileira com o losango em campo retangular, por imitação do estandarte das tropas napoleônicas. Revela a tradição revolucionária em nossa imagem.


9. A mansão Figner: o ecletismo e a casa burguesa no início do século XX, de Marcos de Sá (Ed. Senac, Rio de Janeiro, 2002).

Minha casa estranhamente transformada em livro. Lá nasceu e morou minha avó materna durante toda a vida, e passava eu temporadas cariocas até pouco tempo. A parte que mais gosto é o torreão mourisco.


10. The abuse of beauty: aesthetics and the concept of art, de Arthur Danto (Open Court, Chicago, 2005).

Um dos autores mais agudos da estética analítica e exemplo de crítico de arte. O título promete. É minha próxima leitura.

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Felipe Chaimovich
É doutor em filosofia pela USP, crítico de arte da "Folha de S. Paulo" e curador do Panorama da Arte Brasileira 2005, do MAM (Museu de Arte Moderna) de São Paulo.

 
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