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estante

Daniel Piza

1. Collapse, de Jared Diamond

Do mesmo autor de “Armas, germes e aço”, ainda melhor que este. Uma viagem ensaística por civilizações que, mesmo no auge, tiveram seu fim, falhando no manejo dos recursos naturais. Fascinante. Detalhe: Diamond não acredita no Protocolo de Kyoto.

2. Newton, de James Gleick

Biografia sucinta e sábia do físico britânico, por um dos maiores jornalistas científicos do mundo. Gleick mostra como as motivações de Newton eram muito mais que mecânicas -eram poéticas, filosóficas e, naturalmente, cósmicas.

3. O que nos faz humanos, de Matt Ridley

O título em português perdeu o trocadilho do original: “Nature via Nurture”. Ridley lança luzes sobre a mais velha das controvérsias: quanto de nós é determinado geneticamente e quanto ambientalmente? De saída ele já vai dizendo que a própria expressão do gene em forma de proteína depende de fatores ambientais.

4. The ancestor’s tale, de Richard Dawkins

Um projeto monumental, que só mesmo Dawkins, autor de “O gene egoísta”, seria capaz de realizar. Em prosa admirável, o biólogo inglês narra de trás para frente a história da evolução das espécies, destacadas em "contos" que explicam a engenhosidade desse design sem designer que é a natureza.

5. Goya, de Robert Hughes

Um biógrafo nascido para esse biografado. Como Goya, o pintor, Hughes, o crítico, é um homem que vai direto ao ponto e não se cansa de denunciar a estupidez alheia. Também como ele, faz isso com um estilo e uma verve raras.

6. The First World War, de Hew Strachan

Versão condensada (e convertida em documentário) de uma trilogia ainda inacabada, esse volume ilustrado é a consolidação de anos de estudo sobre uma guerra que, embora não tenha deixado as imagens chocantes da Segunda, definiu mais ainda o mundo em que vivemos. E tudo começou no Mediterrâneo leste.

7. Stalin, de Dmitri Volkogonov

Pouco a pouco Stalin vai sendo equiparado à galeria aonde pertence: a dos tiranos mais cruéis da história. Volkogonov, militar e historiador, não faz onda para contar a ascensão desse burocrata subintelectual ao comando do Império Soviético.

8. Saturday, de Ian McEwan

Com “Reparação”, McEwan atingiu um patamar de qualidade narrativa que para ele mesmo será difícil superar. “Saturday”, seu mais recente romance, é prova disso. Ao mesmo tempo, tem a coragem de enfrentar um assunto atual (a insegurança pós-11/9) e o frescor de abordá-la por outro (a reaproximação entre neurologia e psicologia), na personagem de um cirurgião que descobre o medo e a poesia.

9. Cinco Marias, de Fabrício Carpinejar

Este livro é de 2004; neste ano, o poeta gaúcho já lançou outro, também ótimo, “Como no céu/ Livro de visitas”. Mas “Cinco Marias” tem uma força, na mescla das memórias de uma casa habitada por mulheres com observações e aforismos de primeira ordem, que marca todos que lêem, homens ou mulheres.

10. O século da canção, de Luiz Tatit

Durante muitas décadas a análise da MPB se dividiu entre aqueles que acham que letra é poesia e aqueles que só dão valor ao impacto emocional da música. O livro de Tatit é a maturidade de uma visão que aproxima a fala do canto e revela o poder do jogo entre fonemas e notas. Tom, Chico, Caymmi e Caetano estão entre os compositores analisados.

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Daniel Piza
É jornalista.

 
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